sexta-feira, 13 de março de 2015

"Evangelismo ataca novamente" ou "Os negros estão se matando"
É muito triste ver o povo preto se odiando, odiando sua essência. O eurocentrismo nos oprime tanto que nos leva a esquizofrenia.


Eles gritavam ‘Sai daí, satanás’ e forçaram o portão. Foi aí que me coloquei em frente ao portão e meu filho começou a gravar. Um deles gritou para a gente tomar cuidado, que ele era evangélico mas era também um ex-matador.

Essas foram as palavras do Babalorixá Érico Lustosa,relembrando o episódio de intolerância que presenciou, quando um grupo de Evangélicos tentavam invadir um Terreiro em Olinda, Pernambuco. Confiram reportagem em: http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/noticia/2012/07/18/evangelicos-tentam-invadir-terreiro-em-olinda-49482.php.

Está registrado em vídeo e nas palavras emocionadas de Babá Érico, o ódio que os evangélicos aprendem a ter de tudo que é afro. Vemos uma multidão abobalhada, perdida, espiritualmente empobrecida, exalando energia negativa em nome do Deus do dízimo.

Os terreiros são espaços de paz, confraternização e de cura. As Casas de Santo são locais sagrados. Através das religiões de matriz africana, foi que o povo negro escravizado no Brasil se uniu e fortaleceu a luta pela sua libertação. Aqui, tudo o que é Cristão só serviu para nos demonizar, depreciar, humilhar, violentar e testificar nossa subjugação.

O povo preto brasileiro, cada vez mais pobre, mais miserável, fortalecendo o bolso dos pastores evangélicos, que aprendem, através de cursos oferecidos nas igrejas, como conseguir mais dinheiro para "suas causas".

Os terreiros estão cansados. Não aguentam mais tanta ignorância, perseguição e violência!!!

Basta de Intolerância Religiosa!!!



Queridas leitoras e queridos leitores,

Este Blog surge da necessidade da comunicação com outros homens e mulheres, de compartilhar inquietações e agonias que compõem nossa subjetividade. 

Eu sou uma mulher negra brasileira, que assim como Carolina de Jesus, Neusa Santos Souza e Lélia Gonzales, Beatriz Nascimento, entre outras, sente a necessidade de trocar outros pares, principalmente mulheres e homens que dividem comigo as perversidades oriundas racismo. Porque antes de me saber mulher, eu sou filha de um casal preto. 

Essa página nasce hoje, uma sexta-feira treze com Lua cheia, dia nublado e chuvoso, que carrega várias cosmogonias em torno de seu misticismo. Uma delas é contada pelos índios americanos. Para eles, essa data é considerada como um dia de extrema boa sorte. É agora, então, esta página deve desabrochar. 

Este é um espaço nosso e servirá como câmbio de informações diversas, para que possamos nos alimentar de reflexões que fortaleçam nossa autoestima e dignidade.  

Não haverá uma periodicidade regular de postagens, devido a correria cotidiana da gente que tem que vender o almoço para comprar a janta.  Vou postando conforme o coração pede. Estou aberta a textos dos que quiserem mandar a sua mensagem. 

Estamos juntas e juntos!

Foto da Igreja da Penha tirada em 11 de março. Fonte: Penha Notícias.